ESPORTE EM DESTAQUE
Pr. Pedro R. Artigas
Igreja Metodista
O calendário se aproxima do Advento, e a cidade parece respirar um ar diferente. As ruas, ainda que marcadas pela pressa cotidiana, carregam uma expectativa silenciosa. É como se cada lâmpada acesa, cada gesto de bondade, fosse um ensaio para algo maior. O coração humano, tantas vezes disperso, começa a se alinhar com uma melodia antiga: “Vinde, cantemos ao Senhor; jubilemos à Rocha da nossa salvação”.
O salmista, há séculos, convocou o povo a cantar. Não era apenas um convite para entoar palavras, mas para transformar a vida em louvor. O canto, nesse contexto, é mais do que som: é memória, é esperança, é anúncio. E no Advento, esse chamado ganha nova força. Pois cantar ao Senhor é preparar o coração para receber o Cristo que vem, o Deus que se fez carne e habitou entre nós.
Na praça central, uma criança segura a mão da mãe e pergunta porque há tantas luzes penduradas. A mãe sorri e responde que é tempo de esperar Jesus. A resposta simples carrega uma profundidade que talvez a menina só compreenda anos depois. Advento é isso: uma espera que se ilumina, uma expectativa que se veste de canto e gratidão. É o eco do salmo que nos lembra que a Rocha da salvação não é uma ideia abstrata, mas uma presença viva.
O canto do Advento não é apenas festivo; é também contracultural. Em meio ao ruído das compras, das propagandas e da correria, ele nos chama a desacelerar. “Apresentemo-nos diante dele com ações de graças”, diz o salmo. Não diante das vitrines, não diante das urgências passageiras, mas diante de Deus. Ações de graças são o contrário da ansiedade: são o reconhecimento de que já recebemos mais do que merecemos, e que a maior dádiva está a caminho.
Na crônica da vida, cada gesto de gratidão é uma nota que compõe a sinfonia do Advento. O vizinho que compartilha pão, a comunidade que se reúne para cantar, o idoso que relembra histórias de fé — todos são parte de um coral invisível que se estende pelos séculos. O salmo nos convida a celebrar com salmos, e cada vida que se abre ao Cristo se torna um salmo vivo.
O Advento, portanto, é uma escola de canto. Ensina-nos a afinar o coração com a esperança, a transformar o cotidiano em liturgia. Não se trata de esperar passivamente, mas de viver como quem já ouve os primeiros acordes da canção eterna. O Cristo que vem não é apenas o menino da manjedoura, mas o Senhor que retorna em glória. Por isso, o canto é jubiloso: é antecipação da vitória, é proclamação da salvação.
Na madrugada fria, alguém acende uma vela diante de uma pequena imagem do presépio. O gesto é singelo, mas carrega a força de séculos de fé. A chama tremula, como se fosse o próprio coração humano, frágil e perseverante. E ali, no silêncio, ecoa o salmo: “Jubilemos à Rocha da nossa salvação”. A vela não ilumina apenas o espaço físico; ilumina a alma que espera, que confia, que canta.
O Advento nos lembra que o canto não é apenas para os dias de festa, mas para os dias de luta. Cantar ao Senhor é resistir ao desânimo, é afirmar que a salvação não depende das circunstâncias, mas da Rocha firme. É por isso que o salmista fala em júbilo: não um júbilo superficial, mas um júbilo que nasce da certeza de que Deus vem ao encontro do seu povo.
Assim, a crônica do Advento se escreve com notas de esperança. Cada palavra do salmo é uma pedra que sustenta a ponte entre o ontem e o amanhã. O povo que cantava no deserto é o mesmo que canta hoje nas cidades. A Rocha da salvação permanece, e o convite continua: “Vinde, cantemos ao Senhor”.
No final, quando as luzes da cidade se apagarem e o silêncio da noite cobrir as ruas, o canto permanecerá. Pois o Advento não é apenas uma estação do calendário; é uma postura da alma. É viver como quem já vê a aurora, como quem já ouve o coro dos anjos. É transformar a espera em louvor, e o louvor em vida.
E assim, entre luzes e cânticos, entre gratidão e júbilo, a crônica se encerra. Mas o canto continua, porque Cristo vem — e o coração que canta já participa da eternidade.
Neste domingo iniciamos o período do Advento quando a Igreja de Cristo se veste de roxo, e mostra a ansiedade pela vinda vitoriosa do Salvador. Shalom.
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