quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
DÍVIDA NÃO PARAVA DE CRESCER 

"Era matar ou morrer" - diz empresário que matou agiota - CONHEÇA TODA A HISTÓRIA

21/01/2026
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Um empréstimo que começou com R$ 25 mil em novembro de 2024 terminou em homicídio, queima de cadáver e prisão de dois irmãos em Marília, no interior do SP. A Polícia Civil investiga o caso como possível desfecho de uma relação marcada por agiotagem e pressão financeira extrema.


O empresário Marcelo Alves da Costa, 37 anos, e seu irmão Marcos Alves da Costa, 39, estão presos preventivamente acusados de matar Rafael Francisco Alves Ferreira, também de 37 anos. Após o crime, o corpo da vítima foi colocado no próprio veículo e incendiado em uma estrada de terra no município de Pompeia.


De acordo com o depoimento prestado por Marcelo à polícia, a dívida inicial de R$ 25 mil rapidamente subiu para R$ 33 mil e, segundo ele, alcançou R$ 75 mil. Ainda assim, o empresário afirma ter entregue cerca de R$ 800 mil — em dinheiro, veículos, motocicletas e imóveis — na tentativa de quitar o débito. Mesmo com esses pagamentos expressivos, a quantia devida continuaria na casa das centenas de milhares de reais.


A investigação aponta que a relação extravasou o campo financeiro. Rafael teria passado a frequentar diariamente a empresa da família das vítimas, interferindo em negociações, retendo valores de clientes e exercendo controle sobre o funcionamento do negócio. Três carros e quatro motocicletas da família teriam ficado em posse do credor.


No dia do crime, Rafael compareceu novamente à empresa para cobrar a dívida. A discussão escalou dentro do banheiro do estabelecimento. Segundo a versão da polícia, houve agressões físicas e tentativa de arrastar um dos envolvidos à força. O veículo da vítima estava estacionado em frente ao local, com o porta-malas aberto — detalhe que reforça a suspeita de intimidação prévia.


Durante a confusão, Marcos Alves da Costa teria desferido golpes de martelo contra Rafael, que morreu no local. Após o homicídio, os irmãos colocaram o corpo no carro da vítima, dirigiram até uma estrada rural em Pompeia e incendiaram o veículo com gasolina, numa tentativa de eliminar vestígios do crime. Objetos pessoais da vítima, possivelmente joias, foram retirados antes do incêndio e posteriormente apreendidos pela polícia.


A Polícia Civil apura indícios de prática de agiotagem, já que a dívida continuava crescendo apesar dos sucessivos e elevados pagamentos. Os irmãos foram presos no sábado (17), passaram por audiência de custódia e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva. Eles permanecem detidos no Centro de Detenção Provisória de Álvaro de Carvalho.


As investigações prosseguem para esclarecer a dinâmica completa dos fatos e a real extensão da dívida.