ACONTECENDO AGORA
O advogado Guilherme de Melo Sphair, de apenas 25 anos, alcançou um grande feito no cenário jurídico nacional ao ser aprovado, neste mês de junho, no 31º Concurso para Procurador da República do Ministério Público Federal (MPF), um dos certames mais rigorosos do país. Ele é de Mamborê, na região de Goioerê, e seu feito ganhou destaque estadual.
Nascido em Mamborê, Sphair se formou em Direito pelo Centro Universitário Integrado de Campo Mourão, em 2022. Ele conquistou o 1º lugar na fase de prova oral do concurso nacional com média de 92,85 e foi o único candidato a receber três notas 100 entre os seis examinadores da cúpula do Direito brasileiro, que contou com a presença de Paulo Gustavo Gonet Branco, procurador-geral da República.
Com a terceira melhor nota na média das provas e o sexto lugar geral após a contagem de títulos, ele liderou a classificação na Região Sul e irá se tornar o procurador da República mais jovem do Brasil.
O processo seletivo teve grande concorrência, com 10.372 candidatos inscritos para disputar 58 vagas. Destes, apenas 43 conseguiram chegar à etapa oral, realizada em abril de 2026, na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília. “O bom desempenho na prova oral me permitiu essa colocação e a felicidade foi tão grande quanto a minha surpresa”, celebra o novo procurador, que aguarda a data de posse e a indicação da cidade de atuação.
O cargo de procurador da República representa a porta de entrada na carreira do Ministério Público Federal. Como servidores, esses profissionais atuam diretamente perante a Justiça Federal na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais, funcionando, na prática, como defensores do povo.
Entre as principais atribuições do cargo estão a apresentação de denúncias criminais em casos de infrações federais, a fiscalização do cumprimento das leis e a instauração de ações civis públicas para proteger o patrimônio público, o meio ambiente, os direitos do consumidor e as comunidades vulneráveis. A atuação dos procuradores é peça-chave na condução de grandes operações, investigações internacionais e no controle de inquéritos policiais.
Embora a lotação oficial ocorra apenas no momento da nomeação, a tendência é que os aprovados no 31º concurso assumam cargos em estados que integram a Amazônia Legal, na região Norte do país. Sphair projeta que os maiores desafios estarão associados ao cumprimento do papel do MPF como “defensor do povo” em áreas sensíveis. “Por estarmos diante de uma emergência climática, a atuação na proteção do direito a um clima estável, no combate à mineração ilegal e na proteção de comunidades tradicionais será certamente desafiadora”, avalia.
TRAJETÓRIA - A trajetória de Guilherme Sphair até o MPF acumula algumas particularidades. O interesse pela área jurídica foi despertado ainda na infância, aos 7 anos, durante as eleições municipais de 2008, quando havia um comitê de um candidato ao lado de sua casa e ele começou a acompanhar as sessões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para entender os processos locais.
Anos mais tarde, a própria entrada na carreira quase foi travada por uma exigência constitucional: a necessidade de comprovar três anos de atividade jurídica na data da inscrição definitiva. Ele preencheu o requisito no limite do cronograma, no último dia do prazo estabelecido pelo edital, quando contabilizava exatos três anos e um dia de atuação prática.
Outro marco ocorreu no encerramento da graduação, em 2022. Guilherme estudou na mesma sala que seu pai, Luiz Cesar Ribas Sphair (servidor municipal e advogado), com quem dividiu a bancada e apresentou em dupla o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A pesquisa, voltada à uniformização da legislação federal infraconstitucional, recebeu nota 10 e aprovação com louvor.
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