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O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentou na quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que decolou de Cascavel com destino a Guarulhos (SP) e caiu em Vinhedo (SP), no dia 9 de agosto de 2024. O acidente matou 62 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Entre as vítimas fatais estava o casal de Moreira Sales, Hiales e Daniele Fodra.
Segundo a investigação, uma combinação de falhas operacionais, técnicas, humanas e organizacionais contribuiu para a tragédia. O relatório aponta que a aeronave apresentou uma falha no sistema de degelo no último voo antes do acidente, mas o problema não foi registrado no diário de bordo, impedindo que a manutenção fosse realizada antes da decolagem.
O Cenipa também identificou uma cultura de informalidade na empresa, com pilotos e mecânicos deixando de registrar panes para manter as aeronaves em operação. A análise de 1.206 voos do mesmo ATR-72-500 revelou que cerca de 30% das aproximações ocorreram fora dos critérios de estabilização e que aproximadamente metade dos voos deixou de realizar um teste obrigatório após o pouso.
Além disso, a investigação encontrou falhas na manutenção, troca de componentes entre aeronaves, liberações técnicas irregulares, deficiências no controle de panes e falhas na supervisão das equipes de manutenção. O relatório ainda concluiu que a aeronave não deveria ter decolado caso houvesse previsão de chuva, devido a uma restrição operacional relacionada ao sistema do limpador de para-brisa.
O Cenipa reforçou que o objetivo da investigação não é apontar culpados, mas identificar fatores contribuintes e emitir recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar que acidentes semelhantes voltem a acontecer.
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