terça-feira, 11 de agosto de 2026
DOIS ANOS DA TRAGÉDIA QUE ABALOU MOREIRA SALES

Hiales e Daniela: uma vida de planos interrompida pela queda do voo 2283 – RELEMBRE TRAJETÓRIA

10/08/2026
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Dois anos depois da queda do voo 2283 da Voepass, a história de Hiales Carpiné Fodra e Daniela Schulz Fodra ainda é marcada pelos planos que ficaram pelo caminho.


Os dois estavam juntos havia mais de uma década. Construíram uma trajetória entre mudanças de cidade, novos trabalhos, desafios profissionais e projetos que continuavam crescendo. No momento da tragédia, o casal vivia uma fase de conquistas e novos sonhos.


Hiales tinha 33 anos e nasceu em Umuarama. Caçula de três irmãos, cresceu em Moreira Sales e estudou em escolas públicas. Em 2007, ingressou no curso de Agronomia, em Umuarama.


Durante a faculdade, começou a construir a carreira no agronegócio. No último semestre, conseguiu um estágio em uma multinacional e, após concluir a graduação, em 2012, foi contratado pela empresa. O primeiro destino profissional foi Balsas, no Maranhão.


FOI NO MARANHÃO QUE CONHECEU DANIELA - Daniela tinha 30 anos, nasceu em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, e também havia se mudado para Balsas para trabalhar. Na época, cursava Ciências Contábeis.


O relacionamento começou em 2013, e a vida dos dois passou a ser construída em conjunto.


Hiales foi transferido para Bom Jesus, no Piauí, onde passou a atuar como Representante Técnico de Vendas no setor de defensivos agrícolas. Em 2015, uma nova oportunidade profissional levou o casal para Ubiratã, no Paraná.


Dois anos depois, em 2017, Hiales e Daniela se casaram em Moreira Sales.


Depois de anos trabalhando no agronegócio, decidiu buscar outro objetivo de infância: ingressar na Polícia Rodoviária Federal.


Durante meses, trabalhou durante o dia e estudou à noite para o concurso. Foi aprovado e iniciou uma nova fase da vida profissional.


Entre 2020 e 2021, durante a pandemia, o casal viveu no Acre. Hiales trabalhou na atividade operacional da PRF e, posteriormente, passou a integrar a equipe de inteligência.


Em 2022, conseguiu transferência para Guarapuava. O casal voltou a morar em Ubiratã, mas a carreira ainda levaria Hiales para outro caminho.


Em 2023, ele foi transferido para Naviraí, no Mato Grosso do Sul. Naquele período, porém, uma nova oportunidade fez com que ele pedisse licença da Polícia Rodoviária Federal para voltar ao agronegócio.


Hiales assumiu uma representação comercial de uma empresa do setor e voltou a trabalhar com vendas. Os resultados abriram novas portas e, já em 2024, ele retomou uma posição em uma multinacional com atuação no mercado de sementes.


Ao mesmo tempo, continuava estudando. Hiales cursava uma pós-graduação em Psicologia do Marketing e também passou um período nos Estados Unidos para aperfeiçoar o inglês.


DANIELA ENCONTROU NO FISICULTURISMO UMA NOVA PAIXÃO - Daniela também construiu uma trajetória profissional marcada por mudanças.


Depois do casamento, trabalhou como bancária. Durante o período em que viveu no Acre, passou a atuar remotamente com finanças e também começou a desenvolver trabalhos nas redes sociais.


Em 2022, decidiu investir em uma loja de moda fitness. A rotina ligada ao segmento despertou uma nova paixão: o fisiculturismo.


No ano seguinte, começou a competir. Vieram as primeiras conquistas em campeonatos regionais e, em abril de 2024, Daniela conquistou em Portugal a qualificação profissional no fisiculturismo.


Ela competia na categoria Wellness, voltada para um físico atlético e esteticamente desenvolvido, mas com menos musculatura do que as categorias mais pesadas.


Com o crescimento na modalidade, passou a receber patrocínios e intensificou a preparação para competições internacionais.


O ÚLTIMO GRANDE PROJETO DO CASAL - Hiales e Daniela também planejavam empreender juntos. Os dois haviam iniciado a construção de uma academia voltada exclusivamente para mulheres, em Cascavel. O projeto fazia parte dos planos para a volta da viagem aos Estados Unidos.


Daniela viajaria para disputar duas competições como atleta profissional. A primeira estava marcada para Tupelo, no Mississippi, e a segunda para Phoenix, no Arizona.


O casal também planejava aproveitar a viagem para conhecer o Grand Canyon.


A VIAGEM COMEÇOU EM CASCAVEL - Mas o voo que levaria os dois aos Estados Unidos era o 2283 da Voepass.


O avião ATR 72-500 decolou do Aeroporto Regional de Cascavel com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. Durante o trajeto, a aeronave caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo.


As 62 pessoas que estavam a bordo morreram. Hiales e Daniela estavam entre as vítimas.


No domingo (9), dois anos depois da tragédia, o irmão de Hiales, Rugles Fodra, lembra que a família ainda tenta aprender a conviver com a ausência.


"Dois anos que nós enquanto familiares estamos existindo, não estamos vivendo, não dá mais para seguir normalmente com essa parte que falta", relatou.


PARA OS FAMILIARES, O TEMPO NÃO ENCERROU A HISTÓRIA DO VOO 2283 - Rugles afirma que a família acompanha as investigações e cobra responsabilização. Nos últimos dias, o caso avançou com a conclusão de duas das principais apurações.


O Cenipa apresentou o relatório final sobre o acidente, apontando os fatores técnicos e organizacionais relacionados à queda.


Na sequência, a Polícia Federal concluiu a investigação criminal e apresentou 16 nomes de pessoas indiciadas, que poderão responder judicialmente.


"Isso é o mínimo que a gente espera, nós precisamos dessa responsabilização", afirmou Rugles.


Para ele, a responsabilização também tem relação com a segurança de quem continua viajando de avião.


"Cada passageiro, cada pessoa desse país que entra numa aeronave precisa dessa segurança. Essa segurança, ela não pode ser só um sentimento, ela tem que ser efetiva."


Dois anos depois, Rugles afirma que a família tenta seguir, mas que a vida nunca mais voltou a ser a mesma.


"Dois anos que nós enquanto familiares estamos existindo, não estamos vivendo, não dá mais para seguir normalmente com essa parte que falta."


A família também passou a acompanhar de perto os desdobramentos das investigações. Para Rugles, as conclusões do Cenipa e da Polícia Federal representam etapas importantes, mas a espera agora é pela responsabilização.


"Recentemente tivemos a apresentação do CENIPA, o relatório final, que trouxe as motivações técnicas que levaram a essa queda, que trouxe toda a questão do âmbito organizacional dessa empresa, da forma que ela operava, do ponto de vista preventivo."


Na semana seguinte, veio a conclusão da investigação criminal.


"E aí, semana passada, nós tivemos o fechamento da Polícia Federal, que já atua no viés de responsabilização e nos apresentou, apresentou à sociedade 16 nomes de indiciados que vão precisar responder na justiça."


E a dor se torna ainda mais presente em datas que remetem à família. Neste domingo, Dia dos Pais, Rugles relembrou a última mensagem enviada por Hiales no grupo da família.


"Bom dia, meu povo! Pai e Rugles, feliz Dia dos Pais! Que Deus dê sempre força e sabedoria necessária. Não sou nada diante da imensidão do mundo e da vida, mas o pouco que sou é porque tive quem me guiasse. Um abraço bem forte. Amo vocês." Dois anos depois, a mensagem permanece. (Catve).