quarta-feira, 19 de agosto de 2026
UM ANO APÓS A CHACINA

Veja tudo o que se sabe sobre a prisão Pai e filho Buscariollo pela morte de quatro cobradores em Icaraíma

18/08/2026
  • A+ Aumentar Fonte
  • A- Diminuir Fonte

Antônio Buscariollo e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, apontados pela Polícia Civil do Paraná como suspeitos de envolvimento no quádruplo homicídio de Icaraíma, foram presos nas primeiras horas desta terça-feira (18), encerrando uma fuga que durava aproximadamente um ano.


A captura ocorreu em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, no interior de São Paulo, depois de um trabalho de inteligência, levantamentos e monitoramento realizado pela Polícia Civil do Paraná. Segundo a investigação, os dois tentaram escapar pela mata quando perceberam a aproximação dos policiais, mas acabaram localizados e presos. 


A operação representa um dos principais desdobramentos da investigação sobre a morte de quatro homens que viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma, no Noroeste do Paraná, em agosto de 2025, para cobrar uma dívida de R$ 255 mil.


COMO ANTÔNIO E PAULO FORAM ENCONTRADOS - De acordo com o delegado Thiago Teixeira, do Departamento de Operações Especiais da PCPR, a polícia identificou o paradeiro dos dois após levantamentos de inteligência. A partir da informação, os investigadores passaram a monitorar o local e planejaram o momento considerado mais adequado para a abordagem. 


Antônio, de aproximadamente 66/67 anos, e Paulo Ricardo, de aproximadamente 22/23 anos, estavam em um sítio na área rural de Rio das Pedras.


Quando perceberam a presença das equipes policiais, os dois tentaram fugir em direção a uma área de mata. A fuga, porém, durou pouco. Eles foram perseguidos e capturados em meio à vegetação.


Imagens divulgadas após a operação mostram parte da ação policial. Segundo informações divulgadas pelo Portal da Cidade Umuarama, um drone equipado com câmera térmica auxiliou os policiais na localização dos fugitivos na mata. 
A ação foi coordenada pela Polícia Civil do Paraná, com participação do Grupo Tigre, unidade especializada em operações de alta complexidade. A corporação informou que as prisões ocorreram sem registro de feridos. 


OUTRO FILHO TAMBÉM FOI PRESO - A operação não se limitou a Antônio e Paulo. Outro filho de Antônio, Carlos Henrique Buscariollo, também foi preso nesta terça-feira em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Durante coletiva realizada em Umuarama, a Polícia Civil afirmou que as investigações apontam Carlos Henrique como o mandante intelectual do crime. Antônio e Paulo são apontados como executores diretos da chacina. 


Um quarto integrante da família, Carlos Eduardo Buscariollo, já estava preso por outro crime e também é formalmente investigado no caso. Segundo informações divulgadas pela polícia, ele é condenado por tráfico de drogas. 


Com as prisões desta terça-feira, todos os quatro investigados que estavam sendo procurados ou que já se encontravam presos foram localizados.


O QUE A POLÍCIA DIZ SOBRE A PARTICIPAÇÃO DE CADA UM - Durante coletiva na 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, os delegados Izaias Cordeiro, Thiago Andrade Inácio e Leonardo Martinez apresentaram novos detalhes da investigação.


Segundo a Polícia Civil, Carlos Henrique teria sido o responsável por planejar e ordenar a execução. Antônio e Paulo Ricardo são apontados como os homens que teriam efetuado os disparos contra as vítimas. A investigação considera que o crime foi planejado dentro do núcleo familiar. 


A polícia ressalta que essa é a conclusão investigativa até o momento e que a responsabilidade criminal de cada acusado ainda será submetida ao Poder Judiciário.


A DÍVIDA DE R$ 255 MIL - A origem do crime, segundo a investigação, está em uma negociação envolvendo uma propriedade rural em Icaraíma.


Alencar Gonçalves de Souza teria adquirido uma propriedade da família Buscariollo e pago R$ 255 mil. Após problemas na negociação, teria sido estabelecido um acordo para devolução do dinheiro, dividido em dez notas promissórias de aproximadamente R$ 25 mil.


Com o atraso nos pagamentos, Alencar teria contratado três homens de São José do Rio Preto para ajudá-lo na cobrança. Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso viajaram para Icaraíma e se encontraram com Alencar. 


A Polícia Civil sustenta que o grupo foi atraído para uma propriedade rural sob o pretexto de tratar da dívida e acabou sendo vítima de uma emboscada.


O DESAPARECIMENTO E A DESCOBERTA DOS CORPOS - Os quatro homens foram vistos juntos pela última vez em 5 de agosto de 2025. Depois disso, familiares perderam o contato com eles.


A investigação levou à localização da Fiat Toro utilizada pelo grupo. O veículo estava enterrado em uma área de mata e apresentava vestígios de sangue, marcas de disparos e outros sinais que ajudaram a polícia a reconstruir a dinâmica do crime.


Os corpos foram encontrados posteriormente enterrados em uma área de mata, a cerca de 650 metros do local onde a caminhonete havia sido localizada. Todos apresentavam marcas de disparos de arma de fogo. 


A descoberta dos corpos transformou definitivamente o caso, que inicialmente era tratado como desaparecimento, em uma investigação de quádruplo homicídio e ocultação de cadáveres.


UM ANO NA CONDIÇÃO DE FORAGIDOS - Antônio e Paulo prestaram depoimento à Polícia Civil ainda no início das investigações e negaram qualquer participação no desaparecimento dos quatro homens.


Pouco depois, porém, deixaram Icaraíma juntamente com outros familiares e passaram a ser considerados foragidos. A Justiça expediu mandados de prisão, e a Polícia Civil iniciou uma longa busca pelos dois.


Em julho deste ano, Antônio e Paulo chegaram a ser incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que permite a localização e eventual prisão de pessoas procuradas internacionalmente. 


Mesmo com a inclusão na lista internacional, os dois permaneceram escondidos até serem localizados no interior paulista.


O QUE ACONTECE AGORA - Após a prisão, Antônio e Paulo deverão ser submetidos aos procedimentos judiciais cabíveis e ficarão à disposição da Justiça. A defesa dos investigados informou que pretende contestar as prisões e ter acesso integral aos elementos que fundamentaram as ordens judiciais. O advogado Renan Farah já havia sustentado anteriormente a inocência dos Buscariollo e afirmado que eles teriam deixado a região após receber ameaças. 


A audiência de custódia dos dois está prevista para ocorrer em São Paulo, de forma on-line, segundo informações repassadas pela defesa. 


A investigação, por sua vez, ainda não está encerrada. A Polícia Civil deverá aprofundar a análise das provas para individualizar definitivamente a participação de cada investigado e esclarecer todos os detalhes da execução.


Assim, a prisão de Antônio e Paulo Buscariollo, quase um ano após o desaparecimento das vítimas, representa uma mudança importante no caso: os dois principais suspeitos que permaneciam foragidos finalmente foram encontrados e estão sob custódia da Justiça.