QUEIMA DE ESTOQUE
A Justiça de Santa Catarina condenou três homens apontados como integrantes de organizações criminosas de Sarandi pelas mortes de integrantes de um grupo rival em um triplo homicídio ocorrido em Meia Praia, no município de Itapema, no litoral catarinense. Somadas, as penas impostas aos condenados chegam a 268 anos de prisão.
Jhenisson Monteiro dos Santos, conhecido como “James”, de 29 anos, recebeu a maior condenação: 120 anos de reclusão. Marcos Paulo Leite da Silva, o “Nego Fi”, também de 29 anos, foi condenado a 93 anos, enquanto Vitor Kauan Vizira Lima, de 20 anos, recebeu pena de 55 anos de prisão. “Nego Fi” é filho de goioerense atualmente radicado em Maringá.
O crime aconteceu na noite de 28 de setembro, por volta das 22h30, na Rua 276, em Meia Praia. Na ocasião, as vítimas estavam em um Honda Civic quando foram surpreendidas por três homens armados que chegaram ao local em um Fiat Palio branco.
Os atiradores desembarcaram do veículo e efetuaram diversos disparos contra os ocupantes do automóvel. Foram mortos Edson Matheus de Almeida, de 27 anos, apontado como uma das lideranças de um grupo criminoso de Sarandi, Gabriel Vinicius Santana, de 25 anos, e Ricardo Luiz Silva Santos. Um quarto homem também foi baleado.
Após a execução, os criminosos fugiram. O Fiat Palio utilizado no ataque foi localizado posteriormente abandonado e incendiado no município de Tijucas, em uma tentativa de eliminar possíveis provas.
Durante as diligências, a Polícia Militar de Santa Catarina localizou parte dos suspeitos escondidos em um condomínio no bairro Ribanceira do Sul. Na abordagem, foram apreendidas três pistolas que teriam sido utilizadas no crime, seis carregadores, dois deles com dispositivos de rajada, além de balaclavas e luvas.
Jhenisson e Vitor foram presos em flagrante e, conforme as informações da investigação, assumiram participação no ataque. Os dois também indicaram Marcos Paulo, conhecido como Nego Fi, como o terceiro envolvido.
Marcos conseguiu escapar inicialmente, mas foi localizado e preso meses depois em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
DISPUTA PELO CONTROLE DO TRÁFICO EM SARANDI - De acordo com as investigações policiais, o triplo homicídio está relacionado à disputa entre organizações criminosas pelo controle de pontos de venda de drogas em Sarandi, principalmente na região da Zona Sul.
Edson Matheus de Almeida era apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do grupo conhecido como “Tropa do B”. A organização era investigada por envolvimento em mais de 20 homicídios e diversas tentativas de assassinato registrados em Sarandi e Maringá.
Com o avanço das investigações e a intensificação das ações policiais, Edson Matheus e outros integrantes do grupo teriam deixado o Paraná e se estabelecido em Santa Catarina.
O grupo rival tinha como principal liderança Marcos Paulo Leite da Silva, o Nego Fi, apontado pela Polícia Civil como sucessor de Diego Henrique Valentim, conhecido como “Pestinha”. Diego foi executado a tiros dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Metropolitano de Sarandi.
Segundo as investigações, Nego Fi teria assumido o comando da organização após ser beneficiado por uma saída temporária do sistema prisional, à qual não retornou. A rivalidade entre os grupos desencadeou uma sequência de ataques, execuções e confrontos com as forças de segurança.
INTEGRANTES MORRERAM EM CONFRONTOS COM A POLÍCIA - A disputa entre as organizações criminosas também teve desdobramentos violentos no Paraná. Entre os integrantes ligados ao grupo de Edson Matheus que morreram em confrontos com a Polícia Militar estão Maycon Silva Dourado, de 22 anos, morto no dia 10 de junho, durante uma ocorrência no Jardim Esperança, em Sarandi.
Outro integrante, Lucas Gabriel da Silva Rodrigues, de 21 anos, conhecido como “Chocolate”, morreu no dia 20 de junho, durante confronto com equipes da Rondas Ostensivas de Natureza Especial (Rone), também em Sarandi.
Um adolescente de 17 anos, apontado como participante do ataque em Santa Catarina, também morreu em confronto com a Polícia Militar no município, dez dias depois do triplo homicídio.
No decorrer das investigações sobre a atuação das organizações criminosas, outros suspeitos foram presos pelas forças de segurança. Entre eles estão Jean Gabriel dos Santos Gerônimo, de 23 anos, conhecido como “Gardenal”; Lucas de Souza Hau Neto, de 21 anos, apelidado de “Perna de Alicate”; e Matheus Zimbicki de Jesus, conhecido como “Matheus Gordinho”.
As apurações indicaram que integrantes de diferentes organizações criminosas se articularam em ataques contra grupos rivais, em meio à disputa pelo controle do tráfico de drogas em Sarandi.
VÍTIMA ERA MORADOR DE MARINGÁ - Entre os mortos no ataque em Itapema estava Gabriel Vinicius Santana, de 25 anos, morador do Conjunto Thaís, em Maringá.
Na época do crime, informações levantadas apontavam que o jovem não possuía antecedentes policiais e havia se mudado recentemente para Santa Catarina. Familiares relataram que ele não tinha envolvimento com atividades criminosas e acabou sendo atingido durante o ataque.
O triplo homicídio teve grande repercussão em Maringá e Sarandi, principalmente pelo envolvimento de pessoas ligadas a grupos criminosos que já eram investigados por uma série de crimes violentos na região. (Aconteceu Maringá).
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