domingo, 30 de novembro de 2025
ENTEADO TAMBÉM MORREU

‘Nem eu sabia que ele amava tanto assim meu filho para não suportar' -diz viúva de homem que infartou ao visitar enteado internado no PR

28/11/2025
  • A+ Aumentar Fonte
  • A- Diminuir Fonte

 

Angélica Paiva da Silva lembra que João Gonçalves, de 55 anos, e Vitor Silva, de 16, eram amigos e tinham uma boa relação de padrasto e enteado. Ela ficou viúva e perdeu o filho após praticamente ao mesmo tempo após os dois morrerem com apenas um dia de diferença. A família é de Santo Antônio da Platina, no norte do Paraná, e o caso tem causado comoção.

No domingo (23), Vitor estava internado quando João foi visitá-lo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Norte Pioneiro. Antes, o casal conversou por telefone, e este foi o modo que o padrasto soube que o jovem estava com um problema de saúde grave em decorrência do uso de cigarros eletrônicos.

Enquanto estava na recepção do hospital, João teve um infarto e morreu, mesmo com a ação rápida da equipe médica.

"E ele [João] amava, e nem eu sabia que ele amava tanto assim meu filho para não suportar a notícia que ele estava intubado", Angélica conta.

Um dia depois, na segunda-feira (24), depois de ir ao sepultamento do marido, Angélica chegou ao hospital e viu que o filho estava em parada cardíaca. Ela lembra de pensar, enquanto os médicos corriam: "Meu Deus, de novo não".

A certidão de óbito de Vitor apontou que o jovem teve sepse de foco pulmonar e insuficiência respiratória aguda por tabagismo com uso de cigarro eletrônico. A família descobriu que ele estava usando o dispositivo apenas no momento em que ele foi levado ao hospital. Durante o atendimento, ele contou sobre o uso aos médicos.

"Esse cigarro eletrônico pode parecer inofensivo, mas ele acabou com a minha família em dois dias, perdi meu filho e perdi meu marido. [...] É uma modinha, só que mais quantas mães vão chorar pelos filhos por causa disso?", disse Angélica.

Angélica e João estavam juntos há oito anos. Ela conta que, além da amizade, o marido batizou o adolescente na igreja e o ajudou a arrumar um emprego de vendedor. (G1 Paraná).